domingo, 2 de outubro de 2011

A ronda da noite – Agustina Bessa -  luís

"Martinho apertou, sem querer, o braço da avó ao ter diante dos olhos a pesada pedra do túmulo. Era de facto terrível, com as argolas de ferro enferrujadas e o musgo negro que a cobria. "Não vou deixar que a metam aqui" – pensou, desolado. E  um toque de pó-de-arroz na face dela, junto á orelha esquerda, enterneceu-o como o rasto duma mulher bonita. " Até ao fim somos amantes uns dos outros" – pensou, triste. A educação de mulheres dera-lhe um descaramento ritual, sem nada de perverso, só amadurecido pela reflexão.

Deteve-se a olhar para as campas cobertas de inscrições saudosas, de flores caras, de candeeiros vermelhos dentro dos quais uma chama curta ia sucumbindo. A morte tinha-se tornado uma vaidade mais, uma festa de anos em que só faltava o «parabéns a você» mas não a mesa abundante.

                                    Agustina Bessa – luís, a ronda da noite, Guimarães editores (pagina 11,12)

 

Comentário:

Eu escolhi este excerto pois chamou-me a atenção devido a Martinho não querer que quando a sua avó falece-se e a metessem naquele sitio com aquelas condições, penso que ninguém gostaria de estar ali.

Neste excerto mostra o quão Martinho gosta da sua avó, e o quão é importante para ele, pois Martinho foi criado por mulheres e esse facto dá-lhe um descaramento sem nada de perverso, apenas amadurecido pela reflexão.

Martinho olhou para as campas que estavam cobertas de saudações, de flores caras, de velas vermelhas, para ele a morte tinha-se tornado numa vaidade mesmo nume festa de anos sem a típica frase de desejar os parabéns.

 

Trabalho elaborado por: Daniela Lima, nº3, 11ºE