O Romantismo, em Portugal, vê o seu início assinalado com a publicação do poema Camões, de Almeida Garrett, em 1825, quando este se encontrava em Paris. o Romantismo português enquadra-se no cenário das guerras liberais, movido pelos princípios de liberdade, igualdade e fraternidade, revestido de uma dimensão idealista. Por causa desta ânsia de liberdade, os nossos primeiros românticos foram exilados políticos que contactaram, na Europa, com escritores já empenhados na difusão das normas da nova estética, Foi por essa razão que o poema de Almeida Garrett foi publicado em Paris.
As características gerais do romantismo são: o individualismo; a ânsia de liberdade; a natureza como estado de alma; o mal du siècle; o interesse pela idade média e o nacionalismo. No individualismo, podemos encontrar o "eu" como foco principal e o mundo exterior vai servir para que o "eu" projecte nele os seus sentimentos ou servirá de pretexto para a evasão para mundos imaginários. Na ânsia de liberdade pode-se notar um desejo muito forte de quebrar todas as cadeias que coarctam a liberdade do "eu", quer políticas, quer morais ou sentimentais. Por isso, o escritor grita contra os tiranos, sejam reis ou imperadores, e aproximará a literatura do povo. Na natureza os clássicos tinham idealizado o locus amoenus, os românticos criam o locus horrendus que é a natureza em tumulto. O mal du siècle é uma indefinível doença e faz desejar a morte. Só poderá ser entendida corretamente na odisseia do "eu" romântico, pois exprime o cansaço e a frustração resultantes da impossibilidade de realizar o absoluto. A evasão no tempo conduziu à reabilitação e glorificação da idade média, época histórica particularmente denegrida pelo racionalismo iluminista. A idade média atraía a sensibilidade e a imaginação românticas pelo pitoresco dos seus usos e costumes, pelo mistério das suas lendas e tradições, pela beleza nostálgica dos seus castelos, pelo idealismo dos seus tipos humanos mais relevantes: cavaleiro, o monge, o cruzado. Os românticos exaltavam tudo o que era nacional: o folclore, os costumes, as figuras nacionais e a história da pátria. Foi isto que os levou ao interesse pelo nacionalismo. Garrett foi o primeiro a escrever um romance nacionalista: "O romance de Dona Branca" foi uma tentativa encolhida e tímida para espreitar o gosto do público português, e para ver se nascia o género e se os nossos jovens escritores adoptavam aquela bela forma de escrever.
Fonte: Manual Aula Viva
André Oliveira e Pedro Filipe